A lenda da Mulher da Capa Preta

O registro mais antigo encontrado da lenda da “Mulher da Capa Preta” foi no jornal Correio da Manhã de 24 de fevereiro de 1918. A notícia é de Belém, no Pará, e informava que por lá, além de existir um misterioso e imaginário “Homem da Capa Preta”, havia surgido também uma “Mulher da Capa Preta” no bairro de Umarizal.

A Polícia foi investigar essa aparição e descobriu que a misteriosa mulher não passava de uma ladra de galinhas fichada na polícia.

Outra mulher misteriosa foi citada pelo jornal carioca O Radical de 9 de outubro de 1937. Nele, uma nota revela que havia desaparecido uma mulher no Edifício Itabira, no Rio de Janeiro.

Ela foi descrita como “uma mulher de vestido preto e de grandes óculos escuros. Até agora ela está sendo conhecida como a “mulher da capa preta”. Quem será?”. Possivelmente a nota especulava com a vida íntima de alguma artista ou personalidade feminina do Rio de Janeiro.

A lenda da mulher de capa preta conta que uma jovem misteriosa e triste, que está num baile e dança com um rapaz até à meia-noite, diz que vai embora e é acompanhada pelo par até em casa, com o detalhe de que no caminho o acompanhante lhe oferece um casaco ou capa para protegê-la da chuva ou frio.

O cavalheiro volta no dia seguinte para apanhar a vestimenta e tentar namorar a moça, então descobre pelo pai ou pela mãe que ela havia morrido há algum tempo. Para confirmar a morte, vão até o cemitério e lá encontram sobre o seu jazigo a peça deixada com ela na noite anterior.

Outra versão muito popular é que em Porto Alegre, um rapaz foi a um baile, no bairro Glória, numa noite de sábado. Lá conheceu uma moça muito bonita, mas triste… e sozinha, o que era coisa incomum, para a época. Intrigado, convidou a moça para dançar. Perguntou-lhe então a razão de tanta tristeza, mas a moça de poucas palavras, não deu nenhuma explicação plausível. Para não a incomodar mais, desistiu do interrogatório.

Dançou com ela o que deu, até que “a meia-noite” ela disse que precisaria voltar para casa. O moço, nesse momento, até pensou estar vivenciando um flerte com uma real Cinderela, pois essa também precisava sumir nesse preciso momento.

Ofuscado com sua beleza e admirado com seu comportamento, o moço decidiu acompanhá-la, até por que era muito perigoso uma moça sozinha tão tarde andar pelas ruas.

Ao saírem, o ar da noite à fez estremecer e abraçou o jovem, arrepiada. Então o rapaz, muito educado, ofereceu-lhe a capa, na qual ela se enrolou agradecida.

Os dois atravessaram o morro da Glória, onde fica o cemitério e desceram um pouco a lomba, como quem vai para o centro. Diante de uma casa a moça parou e disse:

– “Eu moro aqui.” Quis devolver então a capa, mas o rapaz não aceitou, pensando em uma desculpa para ver a moça ao meio-dia de domingo…

Ela sorriu, mas nada falou, entrando na casa.

No domingo, como havia combinado, perto do meio-dia, o moço voltou à casa, teoricamente para reaver a capa, mas na realidade esperando um convite para almoçar e, quem sabe, iniciar um romance.

Foi então recebido por um homem maduro e muito triste. Só neste momento então, o rapaz percebeu que não havia perguntado o nome da moça, na noite anterior. Daí só lhe restava perguntar:

– “O senhor é o pai da moça que mora aqui?”

– “Aqui não mora moça nenhuma”. Disse o homem triste.

– “Mora sim. Eu vim com ela ontem de um baile e entrou aqui dizendo ser sua casa. Emprestei minha capa para ela, porque estava frio e fiquei de vir buscar hoje….”

– “É engano seu, deve ter sido em outra casa…” Contestou o velho.

E, ao abrir um pouco mais a porta, o rapaz pode olhar para dentro e viu o retrato da moça na parede. Alegrou-se, apontando:

– “Olhe, lá está ela, é aquela do retrato!”

-“Aquela é minha filha, que morreu faz um ano!”

O rapaz ficou surpreso e sem saber em que acreditar. Era tão sincera sua surpresa, que o velho se ofereceu para levá-lo ao túmulo da filha, no cemitério mais acima.

Foram… e lá estava mesmo o túmulo da moça, com seu retrato e em cima do túmulo, a capa do rapaz…”

Em Maceió, esta mesma lenda foi adaptada a partir da existência da escultura em mármore preto do manto sagrado sobre a cruz no mausoléu da Família Sampaio Marques. Uma das mudanças sofridas pela lenda foi no período, que considerou a data de falecimento inscrita no jazigo, levando a história para o início do século XX.

A narrativa é praticamente a mesma da lenda de Porto Alegre e de tantos outros lugares: uma moça e um rapaz que dançaram juntos em um baile em Maceió até a meia noite, quando ela resolveu ir embora.

Como chovia, o rapaz se prontificou a acompanhá-la até em casa, no bairro do Prado. Nas proximidades do Cemitério de N. S. da Piedade, pararam diante de uma residência e se despediram.

O acompanhante fez questão de deixar com ela sua capa de chuva com a promessa que voltaria no dia seguinte para apanhá-la.

Assim aconteceu. Na manhã seguinte lá estava o jovem batendo na porta da casa. Quem atendeu foi a mãe dela que o informou que a sua filha tinha morrido há muitos anos.

Para provar que o dito era verdadeiro, acompanhou o rapaz até o cemitério ao lado para mostrar-lhe o túmulo da filha. Para surpresa de ambos, sobre a lápide estava a capa deixada na noite anterior.

Adaptado do Jornalista e cineasta Jorge Oliveira

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